Números 2025
3.142 livros inscritos ao prêmio;
488 editoras de 11 países;
autores de 18 diferentes nacionalidades participaram do prêmio;
autores nascidos em 7 países da CPLP participaram do prêmio;
jurados de 6 países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe
3ª etapa: 2 vencedores do Brasil
Os dois livros vencedores do Prêmio Oceanos 2025 foram anunciados no dia 9 de dezembro, na Biblioteca Mário de Andrade, e foi a primeira vez na história do prêmio que representantes de um mesmo país são vencedores.
Na poesia, a alagoana Ana Maria Vasconcelos, venceu com Longarinas, editado pela 7Letras, e, na prosa, a paulista Silvana Tavano, venceu com o romance Ressuscitar mamutes, em edição da Autêntica Contemporânea.
A cerimônia contou com uma homenagem ao centenário da Biblioteca. A diretora do Oceanos, Selma Caetano, homenageou também o autor modernista, lembrando que ele defendeu a autonomia linguística do Brasil, ao mesmo tempo em que tinha, declarou em carta, “um desejinho secreto de falar bem o português e escrevê-lo sem erro”.
O escritor Daniel Munduruku, convidado da noite, falou sobre a atualidade da literatura indígena e de como é urgente que o Brasil, por meio dela, “perceba o quanto tem perdido ao deixar esses olhares fora da construção de nossa identidade”.
A apresentação dos dez livros finalistas foi feita pelos curadores de Brasil e Portugal, e pela professora de literaturas africanas da USP, Rita Chaves. A jornalista Isabel Lucas falou dos livros portugueses; Manuel da Costa Pinto, dos brasileiros, e Rita Chaves, dos livros do continente africano.
O compositor, músico e cantor Luca Argel comandou a parte lítero-musical, e apresentou canções que compôs especialmente para os livros finalistas. "Foi realmente como mergulhar num oceano, ler os dez livros e encontrar as melodias dentro de cada um. Nunca tinha feito algo assim, foi um desafio incrível", disse ele em conversa com a curadora Isabel Lucas.
As duas vencedoras, uma poeta e uma prosadora, presentes na cerimônia, falaram emocionadas ao público.
Silvana Tavano, vencedora com o romance Ressuscitar mamutes, declarou: “não me permiti sonhar com isso. Já estava feliz em estar entre os finalistas. Não tenho palavras”. A poeta Ana Maria Vasconcelos, vencedora com Longarinas, lembrou a coincidência de saber o resultado no dia do aniversário de morte de Clarice Lispector. “Foi por causa dela que comecei a escrever”, revelou.
Longarinas (7letras, Brasil), 4º livro de Ana Maria Vasconcelos, compõe-se de séries de poemas curtos, em que a linguagem concisa capta o essencial de modo incisivo e, ao mesmo tempo, delicado. Por meio de uma linguagem substantiva, seus temas se debruçam sobre a própria poesia, a palavra, o diálogo com outros poetas, os mistérios da vida. A poeta foi semifinalista do Oceanos 2024, com o livro O rosto é uma máquina aquosa (Ofícios Terrestres).
O romance de Ressuscitar mamutes (Autêntica Contemporânea, Brasil) inova ao misturar memórias, ficção e ciência para tecer uma reflexão sobre vida, morte e futuro. Ao lidar com a morte da mãe, a narradora revisita momentos de sua vida a partir de digressões compostas por gêneros textuais diversos, reveladoras de que o livro é, afinal, sobre o enigma do tempo, e de que a imaginação literária é capaz de mesclar as dimensões de forma surpreendente.
2ª etapa: 10 finalistas; 4 nacionalidades; 14 editoras envolvidas
No dia 23 de outubro, foram anunciados os dez finalistas do Prêmio Oceanos 2025, 5 de prosa e 5 de poesia.
Prosa:
- A cegueira do rio, Mia Couto - Moçambique‚ romance publicado pela editora Caminho (PT), Companhia das Letras (BR) e Fundação Fernando Leite Couto (MZ)
- As Melhoras da Morte, Rui Cardoso Martins – Portugal, romance da Tinta-da-China (PT)
- Mestre dos Batuques, José Eduardo Agualusa – Angola, romance publicado pelas editoras Quetzal (PT), Tusquets (BR) e Elivulu (AO).
- Ressuscitar mamutes, Silvana Tavano – Brasil, romance da Autêntica (BR)
- Vermelho delicado, Teresa Veiga – Portugal, livro de contos da Tinta-da-China (PT)
Poesia:
- As Coisas do Morto, Francisco Guita Jr. – Moçambique – publicado pelas editoras Gala-Gala (MZ) e Kacimbo (AO)
- Coram populo - Poesia reunida [2], Maria do Carmo Ferreira – Brasil, pela Martelo (BR)
- Lições da Miragem, Ricardo Gil Soeiro – Portugal, pela Assírio & Alvim (PT)
- Longarinas, Ana Maria Vasconcelos – Brasil, pela editora 7Letras (BR)
- O pito do pango & outros poemas, Fabiano Calixto – Brasil, pela Corsário-Satã (BR).
Na prosa, verificam-se a intersecção de mito, poesia e História nos romances africanos. Sobre o incidente militar verídico, ocorrido em Moçambique em 1914 e narrado em A cegueira do rio, diz Mia Couto que a literatura consegue revisitar o passado, revelar o que se quis apagar, mas “sem apontar o dedo às pessoas”. Agualusa também traz um acontecimento histórico em Mestre dos batuques para narrar uma história de amor, configurando o que ele chama de “falso romance histórico”. Já as histórias de indivíduos que, confrontados com a morte, vão em busca de suas origens, memórias, relações pessoais e familiares, estão em Ressuscitar mamutes, de Silvana Tavano, e As melhoras da morte, de Rui Cardoso Martins. Nos contos de Vermelho delicado, Teresa Veiga questiona os limites entre o “normal” e o “anormal”, ou as várias faces assumidas pela “loucura”.
Na poesia, tem-se o “acontecimento” da publicação da obra de Maria do Carmo Ferreira, até este ano inédita em livro. Coram Populo dá a ideia de sua poesia inventiva e provocadora. Diversidade é também a marca de O pito do pango, que explora regularidade e versilibrismo, experimentos gráficos e rimas, sonoridade, imagética e crítica. Como a de Fabiano Calixto, a poesia de Ana Maria Vasconcelos, em Longarinas, prima pela consciência formal, num livro em que formas breves compõem conjuntos instigantes. Inspiradoras são também as Lições da miragem, em que Ricardo Gil Soeiro transita por inúmeras epistemologias, subvertendo-as poeticamente. Francisco Guita Jr. é outro que convida à reflexão: As coisas do morto tratam da morte e da finitude, mas num chamado à urgência de viver.
Júri
O júri que selecionou os livros finalistas de prosa foi composto pelos brasileiros Jacques Fux (pesquisador, professor, tradutor e escritor) e Leonardo Piana (prosador e poeta); os portugueses Gustavo Rubim (escritor, pesquisador e professor na Universidade Nova de Lisboa) e Teresa Carvalho (professora e crítica literária), e o moçambicano José dos Remédios (ensaísta, jornalista e professor de literatura);
O que fez a leitura e avaliação dos 25 semifinalistas de poesia foi composto pelo angolano Lopito Feijó (poeta, crítico literário e professor de literatura angolana); os brasileiros Bruna Beber (poeta, escritora, artista visual, compositora, tradutora e pesquisadora) e Rodrigo Garcia Lopes (poeta, romancista, professor, tradutor e ensaísta), e os portugueses Pedro Teixeira Neves (escritor, jornalista e fotógrafo) e Raquel Lima (poeta, performer, slammer, arte-educadora e pesquisadora).
1a etapa: 50 semifinalistas de 5 nacionalidades; 37 editoras selecionadas
Dois júris especializados, um de prosa e outro de poesia, formados por profissionais de seis países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, selecionaram os semifinalistas do Prêmio Oceanos 2025. Os 25 primeiros classificados de poesia e os 25 de prosa (romance, conto, crônica e dramaturgia) se destacaram entre 3.142 livros, número recorde de inscrições.
Conheça os semifinalistas de POESIA
Conheça os semifinalistas de PROSA
Abrangência nacional e internacional
Entre as selecionadas, encontram-se obras de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal, publicadas por 37 diferentes editoras.
Além da diversidade de nacionalidades, que vem sendo cada vez mais característica do Prêmio Oceanos, chama a atenção a variedade regional dos autores brasileiros, pois o Brasil aparece representado por quase todo o seu território, com autores de 12 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.
Diversidade geracional
Tanto na prosa quanto na poesia, é possível perceber um extenso arco geracional. Na poesia, por exemplo, integram a lista poetas como Maria do Carmo Ferreira, que escreve há muito tempo, mas cujos poemas se encontravam inéditos até as publicações concorrentes ao Oceanos 2025, Natasha Félix, poeta e slamer brasileira, e Sofia Lemos Marques, portuguesa, ambas nascidas na década de 1990. Entre os prosadores, ao lado de autores consagrados das literaturas em língua portuguesa, como o moçambicano Mia Couto, o angolano José Eduardo Agualusa, o brasileiro Chico Buarque e a portuguesa Teresa Veiga, encontram-se jovens ficcionistas que começam a despontar na cena literária atual, como os estreantes Victor Vidal, brasileiro, e Francisco Mota Saraiva, português.
Esses livros seguem para a segunda etapa, que escolherá os 10 finalistas entre os 50 selecionados agora. As obras foram encaminhadas para dois júris distintos, um de prosa e outro de poesia, que os avaliarão até o final de outubro para eleger os cinco finalistas de cada gênero.
Prêmio Oceanos 2025 recebe inscrições de 18 países diferentes
As inscrições ao Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa apresentam novos recordes, em 2025:
3.142 livros inscritos, de 488 editoras.
Participam autores de 18 diferentes nacionalidades, entre elas, 7 das 9 que integram a CPLP Comunidade dos Países de Língua Portuguesa:
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Também se inscreveram autores da Argentina, Espanha, Federação Russa, França, Haiti, Hungria, Itália, Japão, Países Baixos, Suíça e Venezuela.
Já as 488 editoras são de 11 países, sendo cinco de língua portuguesa. Ao todo, são eles: Alemanha, Angola, Brasil, Cabo Verde, Chile, Espanha, EUA, Itália, Moçambique, Portugal e UK.
Os números superlativos deste ano comprovam mais uma vez o prestígio do prêmio no mercado livreiro e editorial.
Conheça os concorrentes de PROSA
Conheça os concorrentes de POESIA